O projeto “Conversas com Memória” consiste na realização de tertúlias sobre aspetos marcantes da identidade de Peniche, de modo a trazer à atualidade memórias de vários intervenientes, em variados temas, garantindo que estes momentos ficam documentados e com um arquivo futuro de partilhas que são parte da nossa história.

A primeira Conversa a ser dinamizada foi sobre a “História da Indústria de Congelação em Peniche” (2024). Um momento importante para a história desta terra piscatória, que acabou por levantar temas como a possibilidade de a primeira unidade de congelação industrial, em Portugal, se ter localizado em Peniche.

Já este ano (2026) foi dinamizada uma “Conversa com Memória” sobre as “Características e dinâmicas das famílias de pescadores nos finais dos anos 60 e princípios dos anos 70”, trazendo memórias ainda muito vivas nas gerações mais velhas, mas completamente desconhecidas das gerações mais novas.

Uma conversa muito importante no que respeita à partilha de legado social e cultural entre gerações.

Sobre o tema “O vinho, as vinhas e as tabernas de Peniche” juntaram-se conhecimento científico e memórias antigas destas realidades.

Pelos anos de 1830 a vinha foi uma atividade económica com uma expressão muito relevante, logo a seguir à pesca.

A produção de vinho chegou a ser protegida, devido ao preço mais elevado, porque era muito caro manter as vinhas e produzir vinho em Peniche. Só se podia vender vinho de fora (geralmente mais barato) quando se esgotava o vinho de Peniche. Sempre vinho branco e de elevado grau alcoólico (14 – 16º).

Na abordagem às tabernas realçou-se que havia muitas mulheres, quer proprietárias, quer a servir nas tabernas. 

Recordou-se ainda o Sr. Humberto da Taberna “Cabacinhas” e a sua grande disponibilidade para ajudar quem precisava. Há sempre histórias das ajudas dos proprietários das tabernas, principalmente às crianças.

Com o aparecimento da televisão, era também nas tabernas que, muitas vezes, as mulheres e as crianças tinham acesso à informação, nalguns casos em espaços separados.

Pelos anos 1950/60 as casas, em muitos casos, não tinham condições para se tomar banho e os Bombeiros e as tabernas, tal como a taberna do “Joaquim Saloio”, instalaram chuveiros, para os quais, no segundo caso, se cobravam 3,5 escudos por um banho, geralmente semanal.

Estas conversas permitem-nos criar um arquivo de memórias que é importante que não acabe esquecido e que contribui significavamente para a nossa identidade.

Mantém-te atento às próximas Conversas com Memória.